# Shot de ironia #

- ... e é isso que tenho a dizer em defesa do meu cliente.
- Tudo bem, obrigada. Agora, antes de proferir a sentença eu quero ouvir algumas considerações do próprio réu. O senhor pode se levantar, por favor?
- Sim, sim.
- Senhor Adolf, o senhor está ciente que foi o principal responsável e atuou como o mandante que provocou a morte de centenas de milhares de pessoas?
- Sim, estou.
- Como o senhor justifica essas mortes?
- Fui provocado.
- O senhor... como é?
- Fui provocado, meritíssima.
- Já tinha entendido da primeira vez, senhor Adolf! O que o senhor quer dizer com "provocado"?
- Duvidaram de mim, então eu provei.
- Senhor Adolf, seja mais claro! 
- Meritíssima, um judeu se aproximou no recreio e começou a me provocar, dizendo que eu não seria capaz de matá-lo, matar sua família e nenhum dos outros milhões de judeus que haviam por aí. Foi uma questão de honra! Não se pode duvidar de alguém. Mandei matar todos.
- Bem, isso certamente muda os fatos.
- [advogado de acusação] Mas isso é um absurdo! O fato de alguém ter duvidado da capacidade do réu não implica na obrigação de ter que provar o contrário! 
- [advogado de defesa] Eu protesto, meritíssima! O promotor já dispôs de seu tempo para apresentar as provas contra meu cliente.
- [advogado de acusação] Isso é ultrajante! Com todo respeito, meritíssima, eu duvido que a senhora vá perdoar os crimes deste homem!
- Como ousa duvidar de mim? Pois muito bem! Com base nos autos analisados e nas novas informações, este tribunal considera o réu i-no-cen-te! E meirinho, traga esses judeus para o banco dos réus onde serão julgados pelos crimes de provocação e lançamento gratuito de dúvida seguida de morte!

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