Tal de solidão ou solitude
Então,
eis a questão! Talvez, nesse momento, a maior de todas. E claro não podemos nos
esquecer daquela necessidade mórbida de todos nós de ter sempre que definir
coisas. Sempre algo precisa ser isso ou aquilo e claro que não poderia ser
diferente nesse caso. Uma necessidade, eu diria, quase que nata, primitiva,
instintiva... natural. E, por vezes, eu tenho esse grave problema de levar isso
muito a sério. Tudo tem que ser alguma coisa, ora! Tudo precisa ter nomes e
definições. É uma espécie de naturalidade do antinatural.
A
definição dessas duas palavras rege boa parte do que me faz ser eu mesma.
Solidão é psicologia. Solitude é poesia. Solidão é frio. Solitude é frio de
meias, debaixo do cobertor, comendo pipoca, assistindo uma comédia no sábado à
noite. Solidão é necessidade, solitude é vontade. Solidão é insônia, solitude é
Corujão. A solidão se apega ao improvável enquanto a solitude se liberta do
impreciso.
A
solidão é Beethoven, a solitude é Bee Gees!
A
solidão é vinho seco. A solitude é choop gelado. Solidão é chorar com a chuva,
solitude é chorar dançando debaixo dela. Solidão é achar que ninguém liga pra você,
solitude é nem ligar pra isso. Solidão é ficar escrevendo para um blog que ninguém
lê às cinco da manhã de um sábado. Solitude é... bem, nesse caso é a mesma
coisa...
Chega
aquele momento dos fios brancos. Eles começam a crescer inevitavelmente na sua
cabeça. A partir desse momento sua vida nunca mais será a mesma. Você pondera
sobre as coisas, feitas ou não. Percebe que o alienígena que habita em você é
incapaz de conviver com as outras pessoas mas o capitalista satânico que divide
o conjugado com o E.T. faz com que você compre todas aquelas máscaras para que,
de quando em vez, você consiga ao menos... respirar. (Nossa... vamos ao próximo
parágrafo, produção, por favor, antes que eu vomite!).
Aí
dentro de toda essa sua percepção, você enfim entende e – o principal – aceita as
coisas como as coisas serão. Lembra-se que de alguma forma sempre foi assim e compreende,
afinal, o motivo disso. E é justamente nesse momento que você entra em dois
dilemas: o de definir se solidão ou solitude e descobrir como é que esse texto
passou de primeira para terceira pessoa, assim, descaradamente!
Solidão
é ficar sozinho enquanto solitude é sempre estar acompanhado de você mesmo.
O
que eu quero dizer na verdade é que essas duas formas de se ficar sozinho
são igualmente nostálgicas e Legião Urbana. Mas um é “ser” e o outro é “estar”.
Meramente uma questão de verbo to be.
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