Tal de "anônimo"
Então. Esse texto está repleto de palavras soltas que fazem sentido apenas a mim. Não perca seu tempo. É como uma conversa de bar, sem pretensões e sem nexo. Sem uma ordem lógica para as coisas. É papo de gente bêbada e chata. É preciso dizer todas essas coisas porque todas essas palavras iriam compor uma carta. Sim, uma carta ao anônimo. Mas, por mais que eu queria, achei que não seria correto. Seria como... espere, estou indo rápido demais. Vamos às famigeradas preliminares. Você sabe como funciona, né?
Contei a história das moças que se beijam e se abraçam dentro do local de trabalho. Falei que não achava isso correto pois dentro do ambiente funcional deve-se manter um outro tipo de postura e blá blá blá. Sabe o que eu ouvi? Você tá é com inveja. Inveja... me diz, poque? De que? Antes de entrar de verdade no assunto eu tenho que dar um méritozinho a essa questão. Você não pode dizer que odeia alguma sem que alguém incorpore Freud e te diga que aquilo que você repudia é, na verdade, seu objeto de amor. Entende? Vou tentar ser mais clara... se eu jamais me sento num bar no setor Oeste onde uma garrafa de cerveja custa duas vezes mais que o normal é porque provavelmente eu gostaria de ter tanto dinheiro quanto as pessoas que frequentam esse local pra jogar ele fora. Seu eu digo que odeio futebol deve ser porque meu time não conseguiu satisfazer as minhas necessidades como torcedora. Se eu digo que odeio casamento é porque a frustração deve ter sido imensa. Todo mundo diz que eu complico demais as coisas, mas não é muito mais complicado criar um universo inteiro pra tentar entender porque eu não gosto disso ou daquilo ao invés de simplesmente aceitar que eu não gosto pelo motivo que eu falo, e pronto? Qual a dificuldade disso, gente? Me desculpe pela pausa dramática. Acabou.
Então. Vou tentar te explicar porque eu não tenho "invejinha". A idade chegou e parou em mim. Dia desses, num desses momentos de pura introspecção e filosofia moral eu notei algumas coisas diferentes, algo que só mesmo a idade pode mudar. A minha vida anda tão atribulada que eu só consigo pensar em problemas. E problema nunca é demais. E me parece que isso causa outro problema, que causa outro, que causa outro... Me parece que as outras coisas do mundo - cinema, violão, mulheres e vacas na rua - não fazem a menor diferença. Passam assim, desapercebidos, ignorados, displicentemente. Me parece que eu nem consigo me lembrar de algumas coisas que antes faziam toda diferença. E eu não sei, de verdade, até que ponto isso é um sinal da idade. Você me entende? A famosa frase cada um com as suas prioridades faz mais sentido a cada dia que passa. Tenho uma prioridade master na minha vida e outras tantas como, digamos, consequências dessa principal. Eu sempre tento fazer as coisas acontecerem de forma natural, você sabe, eu sempre falo isso. Natural... e de tanta naturalidade percebo que, em alguns pontos, me tornei aquele tipo neandertal que eu tanto repudio.
Em alguns pontos, porque em outros, meu caro, sou o bom e velho E.T. de sempre. E um desses me parece ser uma questão de vida ou morte para a maioria das pessoas - a boa e velha necessidade humana de criar paixões e relacionamentos. Aquela coisa de não conseguir suportar a própria existência sozinho e ter de condenar outro ser humano a carregá-la com você. Santo Deus, mas como você é pessimista e destrutiva! - você dirá. É, muito prazer, Larissa.
Dia desses, conversando inclusive com a mesma pessoa, falava sobre essa relação entre 'coisas de idade' e relacionamento. Falava sobre solidão. Hoje, é uma delícia. Tem um sabor ótimo de fruta fresca, cobertor e ressaca. Hoje! Agora, a grande questão é que eu não sei até quando. Aos vinte e cinco não é uma prioridade, entende? Tem tanta coisa acontecendo dentro da minha cabeça! Tem tanta fome, tanto trabalho, tanta mágoa, tanta mágoa... Mas e aos cinquenta? Entende? A cada dia que passa eu fico mais intolerante e insuportável. Dizia eu à essa amiga que isso é algo tão sério, mas tão sério, que hoje, por exemplo, eu não conseguiria me relacionar com alguém... com alguém que... joga lixo no chão! Para o carro em cima da faixa de pedestre. Derruba alguma coisa e não pega. Empurra com a mão ao invés de pedir licença. Detesta Chico e adjacentes. Alguém que seja centrado demais, humano demais, ocidental demais, frio, cinza, opaco. Pô, jogar lixo no chão? Faixa de pedestre? Sim. A intolerância é um demônio alimentado pela ignorância, mas eu acho que, nesse caso... não é um caso de ignorância, mas de BOM SENSO. Algo que eu tento ter de sobra, que pregarei até o último suspiro. Uma pessoa sem bom senso e sensatez jamais estará ao meu lado. Jamais. E você percebe o quanto é difícil encontrar essa pessoa? Exatamente. Eu não busco, nada, ninguém. Lembra daquilo de deixar as coisas acontecerem naturalmente? Pois é. Mas o passado nem sempre acaba...
Aiai... eu te falei no começo que esse texto não faria o menor sentido. Só um monte de frases e orações soltas, sem pretensões. Pois é. E você percebeu também o quanto eu usei as palavras "parece", "acho", "não sei"? É tudo muito incerto, sabe? Tudo parece muito longe, embaçado. Parece que eu estou dentro de um CD do Legião, sabe? Eu queria muito, muito mesmo comer uma feijoada...
Será que é normal não pensar em coisas tipo... sexo? Não tem graça! Porque não é possível... as pessoas vivem isso o tempo todo. Elas só falam disso, só fazem isso, tudo acaba em sexo! Porque, meu Deus? Orgasmo? Não... é melhor eu não falar mais nada sobre isso não...
Nem sempre o passado acaba. É preciso dizer todas essas coisas porque todas essas palavras iriam compor uma carta. Sim, uma carta ao anônimo. Mas, por mais que eu queria, achei que não seria correto. Seria como... eliminar toda MÁGOA que ainda habita em mim. Mágoa, raiva. Essas coisas legais, sabe? Nem sempre o passado acaba. Existem algumas coisas que ninguém quer que acabe, essa é uma delas. O desejo, a fome, a vontade... são coisas independentes. Se você pensa que a paixão que você sente por algo ou alguém começa ou acaba quando você quiser, simples assim, pense de novo. É preciso dizer todas essas coisas porque todas essas palavras iriam compor uma carta. Sim, uma carta ao anônimo. Mas, por mais que eu queria, achei que não seria correto. Seria como... aceitar. Engolir algumas coisas indigestíveis. Mas o passado nem sempre acaba. Eu acho melhor terminar por aqui. O metal não tem chance contra as nuvens.
É imensurável a saudade que eu sinto do que eu nunca vivi...
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- Larissa?
- Hum..
- O que é isso de anônimo?
- Você sabe...
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| Adoro cubismo. Abstrato, incompreensível e cada ângulo gera nova interpretação. É bem minha cara. É exatamente esse momento. |

Então... Não precisa publicar esse comentário.. só leia... palavras soltas? não sei.... parece q tem tanta coisa que faz sentido pra mim.. ou talvez seja meu desejo de que assim o seja.. queria so dizer q há algum tempo, comentei algo em um post nesse blog, q tenho CERTEZA tinha todo sentido pra nós... e ele nao mais está aqui...aquele comentário nunca foi mentira, não é.. saudades do que nao vivemos, tbm tenho eu... mta.. tenha certeza, seu texto faz mto sentido pra mim...
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