# Conversas pra boi dormir #

Então. Como eu estou completamente sem inspiração, sem vontade e sem saco para escrever e como faz tempo que esse tal de blog anda às moscas, nada melhor que fazer um mamãe-mandou em algum texto antigo e publicá-lo. Por quê? Porque o blog é meu e eu faço o que eu quiser.

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— Quanto tempo você acha que demora pra alguém se apaixonar por outra pessoa?
— Ah sei lá. Depende da pessoa.
— Qual?
— Qual o que?
— Qual pessoa?
— Como qual pessoa, Patrícia?
— Qual pessoa; a que se apaixona ou que fica sendo a paixão da outra?
— As duas.
— Por quê?
— Porque sim, oras! Essas coisas são complicadas... Veja esse caso, por exemplo. Conheço pessoas completamente diferentes que se dão muitíssimo bem e, como fiquei sabendo, se conheceram um dia numa boate e no outro já estavam como pombinhos apaixonados.
— Quanto tempo eles estão juntos?
— Sei lá. Acho que uma semana.
— Só isso? Então não quer dizer nada, eles mal se conhecem.
— Pode ser, mas o cara falou que está louquinho nela.
— Isso não prova nada, preciso de provas mais concretas.
— Como o que?
— Você sabe, aquelas histórias de livros e filmes, só que na vida real.
— Essas histórias não acontecem na vida real.
— Claro que acontecem!
— E como você pode ter tanta certeza disso?
— Sabe o que é? Acho que estou apaixonada por você...
— Hã? Mas a gente se conhece há uma semana!
— Eu sei, mas o foi o destino nos colocar naquela boate há sete dias.
— Sei...
— Ei, não foi você mesmo quem disse que conhecia um casal que estava apaixonado e se conheceram a pouquíssimo tempo? E além de tudo numa boate?
— É, eu disse mas...
— Mas o que? Vai desmentir agora?
— Não... é que o cara de quem eu falei...
— O que, Marco Antônio?
— Acho que era eu!

E seis meses depois.

— Marco?
— Fala amor.
— Quanto tempo você acha que um casal consegue se manter noivo?
— Ah meu Deus, você não vai me pedir em casamento, vai?
— Já que você insiste...

E dois anos depois.

— Marco?
— Oi.
— Quanto custa uma fralda?
— Nós temos que parar com essas conversas.

 10 de agosto de 2004

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Ah 2004...! Dá pra acreditar que eu tinha apenas dezessete aninhos? Foi provavelmente meu ano mais fértil em relação a porcarias escritas. Talvez porque eu era bastante incentivada pelos meus amigos de "culéjo" - o Renato, lunático, grande estudioso e entusiasta da teoria do caos e de qualquer outra coisa que não podia ser respondida por uma regra de três e o sr. Gustavo Marinho, um anjo caído que teve o azar de pisar em falso numa nuvem velha.

O legal disso tudo é que a cada texto que eu produzia, a cada conto ou poesia sebosa os dois me exaltavam como se eu fosse uma mistura de Lygia Fagundes Telles com Luis Fernando Verissimo. Dedico esse texto então aos meus queridinhos que estão tão longe agora. O Paulo também gostou desse texto mas o Paulo não conta porque ele gosta de qualquer porcaria.

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