Tal de "virtual"

Então. Ontem eu me dei conta de uma coisa tão óbvia quanto saber que manga com leite não mata. (Ei, manga com leite não mata, viu filho?) A sapatosfera é mesmo um universo interessante. Para as mais desavisadas farei então minha propaganda do dia - você está se sentindo sozinha? Acha que ninguém no mundo da moral pra você? Se sente um lixo perto de suas amigas exibindo seus namoros duradouros? Pois seus problemas acabaram! Existe agora o mais novo, moderno e revolucionário site de relacionamento lésbico - o Leskut! Aí você me fala pô, mas esse troço é antigo pra caramba! De onde você veio? É, eu sei. Mas você vai deixar eu contar minha história ou não? Que saco!

É fato que eu nunca fui de sites de relacionamento. Eu sou da época da internet discada e do tempo que a maior diversão do mundo era ficar no bate-papo UOL. Mas mesmo assim eu ainda não gostava muito disso. Tinha o tal do ICQ e um pouco depois o MSN, como diria minha vózinha, tomou de conta. Me lembro de quando o Orkut foi lançado... meu Deus! Como era um negocio que dependia de convites, quem tinha Orkut era algo como um semideus! Era de longe a coisa mais legaaaal do mundo. Mas você sabe né, não pra mim. Sem contar o falecido Myspace, o adolescente Facebook e o bebezinho Twitter.  É fato também que essas ferramentas revolucionaram o forma como nos comunicamos e blá blá blá. Você já viu, ouviu ou já leu um milhão de coisas sobre isso tudo. Blá! Tá, mas eu ainda não contei minha história.

Ontem estava eu linda e loira na internet e como há muito tempo não fazia resolvi entrar no Leskut pra ver os movimento, ta ligado? Quando a página inicial carregou, bem no centro aparecia uma mensagem dizendo que o site estava em manutenção por tempo indeterminado. Mas que absurdo! E eu, como fico? Não tenho nada a ver com isso não! Aí corri pro MSN e gritei uma amiga minha. Então muito tranquila e como sempre muito educadinha (né Adryan?) ela me disse moço, entra no Lezlove então. Ta aqui o link. É a mesma coisa. Então foi só alegria de novo. Ah mas que bacana, uma nova comunidade, conhecer novas pessoas... mas espera aí. Eu conheço essa guria aqui. E essa também. Essa outra então... Aí então estava eu, com cara de tacho de novo  olhando pra tela do computador.

Mas até chegar nesse ponto eu descobri aquela coisa óbvia, que falei no início - meu pé! E não me venha fazer piadinha de pé grande e sapatão e mimimi não, palhaço! Não é nada disso. Estava lá toda emocionada vendo caras e bocas e palavras sem contexto dentro de um contexto sem palavras. Clicando fervorosamente nas imagens das mulheres que segundo eu me interessavam. E julgando-as pelo corte de cabelo ou pose nas fotos, pela idade ou gosto musical, pela formação acadêmica e erros de português. Pode ser até que eu esteja um tanto carente ultimamente mas em um dado momento, olhando aquela máquina sem gesto e sem calor, de alguma forma eu consegui enxergar através daquilo, sabe? Ver além. Então meus olhos tão ávidos por uma boa companhia atravessaram a tela do computador e encontraram meus pés, de havaianas.

Foi, no mínimo, frustrante. E pra não perder o costume eu comecei a filosofar sobre toda essa coisa virtual que existe nas nossas relações dos dias de hoje. O problema é que eu não me importo com a quantidade de 'amigos' adicionados ou a quantidade de recados deixados no meu perfil. Quantidade, nesse caso, pra mim, não é uma coisa exatamente boa. Eu me importo na verdade com calor, sons e toques, e não com imagens, música de fundo e cliques. Você me entende? Parece que isso não faz muito sentido... E eu sempre tento não fazer coisas que não tenham sentido... Mas quanta ironia, não? Não dê moral para o que eu falo, afinal eu estou aqui agora falando com uma máquina. É, eu sei.


Não sei, mas parece uma coisa antinatural. Entende?

Comentários

  1. Eu falei que era a mesma coisa, mas voce nunca me escuta, né!? Adryan...

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