Tal de felicidade
Então. Fui surpreendida dia desses com essa pergunta enfadonha - você é feliz? Claro que não, eu respondi. Assim, automaticamente, sem pensar. É claro que a pessoa ficou um tanto quanto horrorizada, já era de se esperar. Até porque todo mundo é tão filhadaputamente moralista que quando você não é hipócrita, você tem que ser hipócrita.
Como assim, feliz? Felicidade? Porra é essa? Você é feliz? Não, eu não disse isso, mas imaginei numa altura que fiquei com medo da pessoa ouvir. Eu sempre falo isso, eu sei, mas meu ceticismo não me deixa cair nessas latadas... Levando-se em conta toda a dopamina que seu cérebro cria, deixa eu te contar uma coisa - você não é feliz, meu caro! Ah, e não me venha com essa cara que eu detesto! Sai!
Como já disse antes tudo é uma questão de opiniões, certo? Dá licença pra eu falar a minha? Obrigada. Felicidade é momento. Mo-men-to. Você consegue uma promoção no emprego, tem uma tarde maravilhosa com sua mais nova paixão, recebe um telefonema daquele seu amigo de infância, encontra dinheiro no bolso da calça, come chocolate - tudo isso passa, acaba, e pronto. E só. Você pode até ser feliz durante algum tempo, mas nunca sempre. Nunca sempre porque se você consegue ler esse texto significa que você é humano (espero), e se você é humano, por natureza, você é imperfeito de tal forma que nunca consegue se satisfazer (por completo) com nada. Nada é suficientemente bom pra você.
E... mesmo que fosse, ok? Mesmo que fosse porque tudo acaba. O emprego fica chato de novo, a paixão fica chata de novo, o amigo de infância fica chato de novo, o dinheiro que você encontrou e o chocolate acabam. Mas é claro que você... bem, você é uma daquelas pessoas idiotas e normais que aceitam todas as condições que a vida e a bosta da sociedade pregam caladinha e resignada, não é? Se sim, sim, você é feliz! Estupidamente feliz! Feliz e cego. Mas feliz. Afinal, é isso que importa, não?
O que eu estou enrolando aqui pra dizer é que felicidade é algo efêmero, passageiro e que depende excencialmente do que você realmente gosta, do que te dá prazer. Porque aí acontece uma coisa muito interessante - o seu maravilhoso cérebro, que você não usa, libera um hormônio (neurotransmissor) chamado dopamina, que é um troço que te deixa alegrinho, felizinho da vida. Olha só, eu não sou nenhuma bióloga nem nada, eu só repito o que o Google me fala, ok? Bem, depois que o 'efeito' disso passa você volta a ser a mesmíssima pessoa frustadamente enrustida como todas as outras do planeta. Como eu? Claro. Como eu também. Para alguns isso pode parecer óbvio e tudo mais. Mas pra grande maioria das pessoas... oh my god! As pessoas se iludem demais, sabe? Elas acreditam que tudo na vida dura pra sempre. Não se pode colocar "vida" e "sempre" na mesma frase, o erro já começa por aí.
Filosoficamente falando, esse negócio de felicidade já são outros quinhentos que eu prefiro nem comentar. Mas só pra concluir, felicidade, como a maioria das coisas que você (acha que) sabe, é uma das grandes balelas do universo. A minha? Existe, claro. Dentro do meu bolso. Se ele está cheio (de dinheiro) eu estou feliz, se não, não. Dinheiro não traz felicidade? Ah, tá bom então, filho. Vai dormir, vai.
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| Don't worry. Be happy. |
E tem mais uma coisa que eu preciso dizer... as pessoas me parecem viver num mundo ao qual definitivamente não deve ser o mesmo que eu vivo. Todas anestesiadas vivendo numa vida de felicidades e realizações eternas e completas. Sabe? Parece que elas estão dormindo. Sempre dormindo. Mas eu nunca durmo, nunca. E a idiota aqui vive assim, acordada, vivendo uma vida de perplexidade total!

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