Tal de casamento

Eu sei, o texto é longo. Mas você consegue!


Então. Quando eu era criança, antes de começar a ler, e assim fuder com toda minha vida, formar opiniões era coisa complicada. Era à base de televisão, que não serve de base e conviver com a minha lunática e transcendental família, que aliás se esforçava bastante para parecer as famílias da tv. E acredite, quando eu digo transcendental eu estou sendo irônica. Muito irônica. Ironia essa que poderia me custar alguma herança... mas tudo bem. Todos são tão quebrados quanto eu, não fará diferença.

Voltando então. Depois de começar a formar minhas próprias opiniõezinhas e o pior - vivê-las, posso dizer da forma mais lúcida e sem hipocrisia que eu, sim, faço apologia contra o casamento. Isso. Sou isso tudo aí que você está pensando. Ah, gostei do 'frígida' e do 'mal amada'. Talvez... talvez deva perguntar a sua mãe... Tá, chega. E como sempre não é pelos motivos que você pensa que sabe. Vou agora revelar um dos mais preciosos segredos do universo de forma gratuita e nunca antes revelada - a melhor e ÚNICA coisa boa em ser/estar (to be) casado é dormir de conchinha! O que? Vai dizer que não é? Então vá lá, cite alguma coisa.

Dormir e acordar com a mesma pessoa? Ah sim, com a pessoa que você ama? Todo dia?  Qual é... isso é, no mínimo, terrível! Acredite, existe uma coisa chamada intimidade e, se você pensa que isso é bom - errado. Intimidade estraga as coisas, gasta, deixa tudo normal e banaliza situações constrangedoras. Intimidade é o primeiro item da minha lista de itens a serem considerados antes de se casar. Intimidade não aproxima, corrompe. Não cria vínculos mais profundos, enferruja os que já foram criados de forma sólida e lúcida. Aí você diz bah, mas como vai ser então? Porque se eu gosto é óbvio que vou querer me aproximar mais e mais. Certo, mas precisa casar?


Criar uma familia? Geralmente o conceito de familia que a maioria das pessoas possuem é casa, carro, emprego estável (público), pets e filhos. Necessariamente nessa ordem nostálgica. Eu devo ser realmente uma pessoa muito estranha... porque me parece que eu não preciso construir minha vida ao lado de outra pessoa. Eu não sou essa pessoa egoísta aí que você está pensando. Bem, talvez eu seja. Mas você entende que pra mim isso não é uma necessidade? E necessidade é uma coisa muito interessante que trataremos no próximo bloco de Mil Motivos pra Você Não se Casar. Não saia daí, voltamos já!

Necessidade...? Você provavelmente já ouviu alguém dizer que morreria sem uma outra pessoa, não é mesmo? Provavelmente você mesmo já disse isso. Que horror...! (Eu já disse isso! Que horror!) Deixa eu te contar uma coisa; caso você ainda não saiba: NINGUÉM precisa de NINGUÉM. Será que você me entende? Você não vai morrer se não estiver vinte e quatro horas perto e respirando o mesmo ar que a outra pessoa respira. O tal de ser humano precisa de afeto, carinho, atenção e cuidado. Básico, né? Mas sabe do que mais? De quando em vez ele precisa de espaço. Porque por mais que você pense que vocês dois pombinhos são iguais - errado de novo! Existe uma outra coisa chamada individualidade que além de ser respeitada deve ser colocada em prática à risca. Porque... sabe o que acontece quando você encurrala um gato? Ele não pede socorro, ele não tenta escapar de outra forma, ele não se torna humilde e definitivamente ele não senta pra conversar e te convida pra tomar um chá. Ele te ataca. Notou alguma semelhança?


Viver o resto da vida ao lado dele(a)? Resto da vida? Resto da vida de quem? Do Silvio Santos? Oh Deus... você acredita mesmo nisso? Mesmo? De que mundo você veio? No coléginho eu aprendi que tudo que é vivo, morre. Vegetais, animais, e sentimentais. Bem, essa ultima parte eu não aprendi exatamente nessa escola... Mas sentimento é algo que você cria, gera, só pra você, dentro da sua mente. Você o alimenta, nutre aquilo com muita paixão. Ele cresce e se torna algo de aparência infinita. Aí um belo dia você acorda e ele já estava morto muito antes de você perceber. Se você acha que vai envelhecer ao lado de alguém, esqueça. Exceto a própria mudança, tudo muda, 'tudo flui', tudo está em movimento e nada dura pra sempre,  segundo Heráclito. Ah, é um filósofo pré-socrático que provavelmente nunca se casou. Esperto...


O que? Alma gêmea? Sabe.. acho melhor nem comentar isso. Não, não, melhor não. Não insista! Tá certo então, tentei avisar... Você é aquele tipo de pessoa que acredita que vai encontrar outra pessoa que te COMPLETA? Bem, que pena que você é uma pessoa pela metade... quem vai procurar uma metade de uma pessoa? A outra metade? Que droga de mundo onde ninguém é completo!


Se eu disser pra alguém que faço apologia contra o casamento lá vem o Dr. Freud me dizendo que minha infância tem alguma coisa a ver com isso. Mas é claro, ele diria. Afinal, seus pais se divorciaram quando você era apenas uma garotinha de quatro anos, deve ter sido muito doloroso. Vamos, fale-me mais sobre isso... Aham. Doloroso... aham. Sabe, doutor, pode até ser, tá? Mas acontece que minhas certezas são baseadas no meu conhecimento teórico e prático. Depois de três anos de um casamento, e depois de ter conseguido sair dele com vida, hoje consigo perceber e enxergar as coisas de um ângulo, eu diria, privilegiado - do lado de fora.


Eu não vejo qual é o problema em se apaixonar, amar, que seja, e viver ao lado de uma pessoa em casas separadas. Eu não vejo motivo dessa necessidade louca de dividir o mesmo teto. As coisas podem simplesmente fluir num ritmo natural sem obrigações nem rotinas. Sem regras nem... regras. Mas... como diz titio Heráclito, tudo fui, tudo se move, não é mesmo? "Não podemos entrar num mesmo rio duas vezes", na segunda vez tanto eu quanto o rio já estaremos mudados. Sabe-se lá se amanhã continuarei a pensar dessa forma... em todo caso... e aí, casa comigo?

Comentários

  1. Ou vc tá cada vez pior,insana e agora atacando as instituições?!
    Blz,faz um pra cada uma:Igreja,Casamento,Família...t+

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  2. Paulo, casamento é uma instituição falida... como todas essas outras aí que vc citou...

    E da próxima vez faz login que eu não sou obrigada a saber que é 'anônimo'...

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