# O Espelho | ohlepsE O #

    

      
     Sou um homem ao meio, no meio de uma ilha, no meio do oceano, no meio do nada, no meio do mundo, cercado de meias certezas, meias verdades, meias lembranças e meias sujas.
    Sou a metade das minhas incertezas, quando preciso falar eu me calo, quando é preciso dizer eu não consigo, eu sou o extremo de um ser, sou o extremo da metade, o extremo em busca do equilíbrio, mas sempre extremo.
     Sou metade de um homem  pelas tabelas, a metade ao meio de um pedaço partido de algo que nunca esteve inteiro, que nunca foi íntegro, que sempre perde um pouco mais de si mesmo, mais um pedaço.
    Sou um homem ao meio. Sou a metade ao meio de um homem partido pelas metades partidas do meio de um pedaço de um homem pelas metades.
      De tantas partes ao meio eu me basto, e acabo me tornando um homem completo pelas metades.
     Sou um quebra-cabeças que tende ao infinito.
     Sou um homem no meio, na metade de uma ilha aos pedaços, na metade do oceano, no meio do nada, no meio de um pedaço do mundo olhando para o alto, para as nuvens que não trazem chuva.
      Sou metade. Sou meio. Sou parte. Sou pedaço. Não me basto.
                                                                          Setembro de 2007

E sabe do que mais? A minha frustração não cabe no papel.

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